sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Jornadas Bolivarianas: 10ª. Edição - Segunda chamada pública para apresentação de trabalhos


Jornadas Bolivarianas: 10ª. Edição - Segunda chamada pública para apresentação de trabalhos

05.12.2013 - Já está aberta a chamada pública para apresentação de trabalhos nas Jornadas Bolivarianas do ano de 2014, que acontecem de 09 a 11 de abril, na Universidade Federal de Santa Catarina. As Jornadas são o evento anual do Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC, e na sua décima edição terá como tema: A América Latina e os 40 Anos da Teoria Marxista da Dependência.

Os interessados devem preencher a ficha de inscrição disponível abaixo e encaminhar via o correio eletrônico do Instituto (iela@contato.ufsc.br)

Prazo para entrega dos trabalhos: 02 de março de 2014

APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS:

I - A apresentação de trabalhos acadêmicos nas Jornadas Bolivarianas – 10ª Edição tem como finalidade valorizar a produção e a disseminação do conhecimento no campo da América Latina, bem como oportunizar o intercâmbio de análises e pesquisas sobre o tema;

II - Os trabalhos inscritos deverão abordar assunto relativo aos estudos sobre a América Latina, que problematize aspectos referentes à temática geral das Jornadas.

III – Os trabalhos deverão ser encaminhados ao correio eletrônico do Iela (iela@contato.ufsc.br), junto com ficha de inscrição, disponibilizada ao final destas observações.

IV - Os trabalhos poderão ter mais de um autor, conforme item 8 abaixo.

V - Os trabalhos serão de responsabilidade exclusiva de seus autores, independentemente da instituição a que estejam vinculados.

ANÁLISE PRÉVIA E SELEÇÃO

VI - Os trabalhos serão selecionados segundo os seguintes critérios:

a) Consistente fundamentação teórico-metodológica;
b) Criticidade;
c) Originalidade;
d) Relevância científica para o aperfeiçoamento dos estudos em América Latina;

VII - Os trabalhos serão avaliados por pareceristas, integrantes do conselho de pesquisadores do IELA/UFSC e convidados.

VIII - A relação dos trabalhos selecionados para apresentação oral será divulgada nas páginas do IELA/UFSC, no dia 15 de março de 2014, com o envio de carta de confirmação para o endereço eletrônico ou convencional dos autores;

IX - Todos os trabalhos enviados serão publicados nos Anais das Jornadas Bolivarianas/Décima Edição, que serão disponibilizados apenas eletronicamente.

X - As apresentações orais selecionadas acontecem num dos períodos da tarde durante as Jornadas. Observar a programação.

XI – Cada autor de trabalho selecionado para apresentação oral terá 20 minutos para expor sua pesquisa.

Observação: Não serão cobradas inscrições para as Jornadas Bolivarianas. As demais despesas serão de responsabilidade dos participantes.

CRITÉRIOS PARA APRESENTAÇÃO

XII - Os trabalhos inscritos deverão obedecer aos seguintes critérios de apresentação:

01 . O trabalho deverá ser enviado em Documento Word (ou similar) letra (tipo/fonte) TIMES NEW ROMAN 12, texto justificado, entrelinhas 1,5, em folha configurada para tamanho A4 com as seguintes margens: 3 cm na partes superior, inferior, acima e abaixo. As páginas deverão ser numeradas no canto inferior direito, incluindo a primeira página.

02 . O resumo, em português, deverá vir logo abaixo do título, subtítulo, nome do autor, palavras-chave, e deverá ter no máximo 200 palavras, letra (tipo/fonte) TIMES NEW ROMAN 12, texto justificado.

03 . O trabalho não deverá superar 15 páginas incluindo o resumo, palavras-chave, as notas de rodapé e bibliografia final.

04 . As notas de rodapé deverão ser apresentadas numeradas.

05 . O título e subtítulo deverão ser em negrito, no mesmo tipo de letra.

06 . O nome do(s) autor(es) deverá(ão) estar alinhado à margem direita.

07 . A Bibliografia se incluirá ao final do trabalho, ordenada alfabeticamente pelo sobrenome do autor.

08 . O limite de apresentação de trabalho por pessoa será de uma como autor e uma como coautor.

09 . Não se aceitarão trabalhos que não se ajustem a estes critérios de apresentação.

10 . O trabalho deverá ser enviado por via eletrônica ou entregue gravado em CD, em envelope fechado, no qual apareçam o(s) nome(s) do(s) autor(es) , pessoalmente ou por correio postal ao seguinte endereço:



Jornadas Bolivarianas – 10ª. Edição – 2014

Apresentação de Trabalhos
IELA/Instituto de Estudos Latino Americanos
Universidade Federal de Santa Catarina
CSE . Bloco D . Primeiro andar
Campus Trindade
Florianópolis SC Brasil
88010-970


Mais Informações:


IELA/Instituto de Estudos Latino Americanos
Universidade Federal de Santa Catarina
www.iela.ufsc.br

iela@contato.ufsc.br
Fone: + 55 (48) 3721-4938



Ficha de Inscrição para Apresentação de Trabalho


JORNADAS BOLIVARIANAS - 10ª EDIÇÃO
A AMÉRICA LATINA E OS 40 ANOS DA TEORIA MARXISTA DA DEPENDÊNCIA

FICHA DE INSCRIÇÃO/ APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS

Nome do autor (a):
Nome do trabalho:
Instituição ou Entidade:
Endereço:

Telefone:
Correio eletrônico:


Reproduzido de IELA

05 dez 2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Jornadas Bolivarianas de 2014 discutem a Teoria da Dependência



Ruy Mauro Marini - Teoria Marxista da Dependência

Por Elaine Tavares e Nildo Ouriques

Já está definido o tema para a histórica edição das Jornadas Bolivarianas, que em 2014 completa 10 anos de realização. Será a celebração dos 40 anos da Teoria Marxista da Dependência, uma perspectiva do desenvolvimento que tem como principais teóricos Ruy Mauro Marini, Theotônio dos Santos e Vânia Bambirra, intelectuais brasileiros de vasta obra na área. Como essa foi uma teoria bastante obscurecida no Brasil por conta da ditadura militar, esses autores ficaram, aqui, esquecidos por décadas embora iluminassem a teoria do desenvolvimento e da dependência em toda América Latina. Nesse ano de 2014, ao cumprirem-se 40 anos dos primeiros escritos sobre esse tema, o Iela aprofunda a discussão e busca refletir sobre a validade dessa teoria em tempos de neodesenvolvimento.

A proposta de um Seminário Internacional Latino-americano - Jornadas Bolivarianas  -  nasceu em 2004 quando da criação do Observatório Latino-Americano, que dois anos depois se transformaria no Instituto de Estudos Latino-Americanos, o Iela. A intenção era, e segue sendo, debater em profundidade temas sobre a política, economia, cultura e arte latino-americana que não estejam colocados na agenda hegemônica do saber oficial. Foi assim que, quando poucas universidades ousavam discutir América Latina, o então OLA abriu essa fecunda década de debates problematizando as novidades políticas que nasciam na Venezuela sob o comando de Hugo Chávez. A partir daí, debateu o mapa da crise nas Ciências Sociais, a insurgência do pensamento crítico, a ideia de nação e nacionalismo, a política dos Estados Unidos para a América Latina, o socialismo no nosso continente, as políticas culturais imperialistas, o Caribe e os Megaeventos esportivos. 

Cumpridos 10 anos de existência desse seminário, nada mais oportuno, então, do que discutir essa teoria, nascida brasileira, que foi tão vilipendiada nas universidades e nos centros de saber do país. Em tempos de incensamento de um novo desenvolvimentismo e crescimento econômico, as categorias de análise da Teoria da Dependência serão colocadas na mesa, para compreensão de sua validade e dos seus limites.

O tema das Jornadas Bolivarianas  - X Edição

A hegemonia do desenvolvimentismo (neodesenvolvimentismo) nas ciências sociais é produto da nova orientação do Estado brasileiro na última década. O projeto neoliberal foi gradualmente sendo superado em favor de um projeto cujos principais defensores denominam "neodesenvolvimentismo". Essa proposta não somente dita as políticas públicas como também impõem uma agenda teórica para as universidades públicas. Assim, em função da força que o tradicional desenvolvimentismo ganhou na sociedade brasileira sob a roupagem de "neodesenvolvimentismo", a crítica à teoria dominante ganhou relevância na medida em que resurgiu com idêntica vitalidade a teoria marxista da dependência (TMD), corrente teórica nascida na década de sessenta que seguiu produzindo resultados até os dias atuais, ainda que com menor visibilidade pública.

Contudo, o novo ambiente intelectual que assomou com força na América Latina a partir da superação das política neoliberais e especialmente após a grande crise financeira vivida pelos países centrais a partir de 2007/2008, permitiu que a teoria marxista da dependência retomasse o protagonismo nas ciências sociais. Por esta razão, nasceram também muitos grupos de pesquisa amparados por essa teoria em várias universidades brasileiras. 

A Sociedade Brasileira de Economia Política, uma das grandes sociedades científicas no campo da economia brasileira, criou um Grupo de Trabalho (GT) sobre a TMD e já realizou dois encontros nacionais. Estes eventos contaram com a presença de pesquisadores de 14 países latino-americanos que estudam sistematicamente a teoria marxista da dependência. O IPEA, órgão governamental decisivo na área de pesquisa aplicada em economia e políticas públicos criou cátedras de pesquisa entre as quais existe a Cátedra Ruy Mauro Marini, principal representante intelectual da teoria marxista da dependência. Esta dinâmica que a cada dia ganha maior relevância no meio universitário brasileiro conta também com a iniciativa pioneira do IELA na publicação da "Pátria Grande, Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano", cujo primeiro volume divulga em nosso país, por primeira vez, a obra de Ruy Mauro Marini com imenso sucesso editorial (quarta edição em menos de 2 anos) e incluiu também a obra de Vânia Bambirra, outra destacada intelectual da TMD. Todas estas iniciativas exigem que o evento anual do Iela, as Jornadas Bolivarianas, se destine inteiramente ao debate sobre os novos aportes da teoria marxista da dependência no mundo universitário brasileiro, com a participação dos principais pesquisadores brasileiros da temática e também ilustres professores e intelectuais latino-americanos que acumularam experiência e conhecimento para o desenvolvimento de esta importante crítica ao desenvolvimentismo.
     
As Jornadas Bolivarianas acontecem de 9 a 11 de abril de 2014, na Universidade Federal de Santa Catarina, e marcarão uma década de profundo e vital debate sobre a realidade latino-americana.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Os donos do Rio - o legado da Copa 2014

O tema das Jornadas Bolivarianas desse ano - Os megaeventos esportivos  - segue dando muito pano para a manga. Vejam abaixo o vídeo 'Maracanã e os Donos do Rio'. 

O trabalho revela o controle da cidade do Rio de Janeiro pelas grandes empreiteiras, tendo o estádio como caso emblemático das ligações perigosas entre empresários e governantes. O vídeo faz parte da campanha "Quem são os Proprietários do Brasil?", realização Instituto Mais Democracia, apoio Fundação Rosa Luxemburgo.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

"Há que furar o bloqueio da mídia"

Entrevista com Renato Cosentino, do Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, conferencista nas Jornadas Bolivarianas, nona edição.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Jornadas Bolivarianas formulam novas teorias

Professor Nilso Ouriques (Unoesc), durante a nona edição das Jornadas Bolivarianas, em Florianópolis, maio de 2013. Para ele, as Jornadas são espaços de formulação de novas teorias.

 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Um balanço das Jornadas Bolivarianas - 9ª edição

Paulo Capela - Presidente do IELA


     Ao término das Jornadas Bolivarianas - 9ª edição, realizadas de 9 a 12 de abril de 2013, tendo como tema “Megaeventos esportivos: impactos, consequências e legados para o continente latino americano”,  avaliamos seu impacto em diversos aspectos:  divulgação; repercussão no ambiente  interno da UFSC (entre os estudantes, professores, servidores técnico-administrativos, centros de Ensino e cursos de graduação e pós-graduação);  e também seu impacto na comunidade externa à UFSC (na cidade de Florianópolis, no Brasil, etc).

    Mesmo em uma fase de avaliação preliminar, é possível fazer algumas constatações importantes  sobre o evento, dentre as quais destacaria três: (1) a presteza e o empenho demonstrado pelos convidados, conferencistas e coordenadores de mesas, que prontamente atenderam à convocatória do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), encontrando-se entre eles 15 personalidades de seis  países (Cuba, Equador, México, Uruguai, África do Sul, Brasil) entre conferencistas e coordenadores das mesas das conferências, pesquisadores de renomados grupos de estudos; (2) o aumento significativo de público em relação à edição anterior, que teve como tema  “O Caribe: espaço estratégico na América Latina”, de grande relevância,  porém ainda pouco estudado no Brasil; (3) a presença massiva de jovens, o que contraria a ideia de que eles não se interessam por política, pelos impactos sociais das políticas públicas sobre a população brasileira, pelos estudos críticos e pelo continente latino-americano.

    Esta avaliação preliminar, por si só, permite-nos afirmar o acerto na escolha do tema e a força das sucessivas edições das Jornadas Bolivarianas no âmbito da UFSC e no mundo externo à universidade.   Gostaria de fazer algumas reflexões pessoais sobre a abordagem dos temas tratados. Na conferência de abertura, na noite de 9 de abril,   proferida pelo professor Jaime Breilh, assistimos a uma aula magna da aplicação do método marxista como instrumento para desvelar as tramas sociais envolvendo os megaeventos esportivos, o que inclui sua estrutura macroeconômica, os diversos grupos de interesse em seu entorno, chegando finalmente a uma síntese na qual o professor conferencista aponta as implicações que as determinantes sociais advindas deste fenômeno econômico acarretarão para a saúde das populações latino-americanas e para os atletas participantes.

    A exposição de Breilh ampliou-se ao proferir, dois dias depois, a aula inaugural para o curso de pós-graduação em Serviço Social, ocasião em que este método foi mais detalhadamente tratado junto aos profissionais da área da saúde. Seguiu-se à conferência de abertura, no segundo dia,  10 de abril,  pela manhã, a mesa em que o professor Maurício Roberto da Silva coordenou, de forma brilhante, a exposição de dois outros conferencistas – Antonio Becali Garrido, reitor da Universidade de Ciências da Cultura Física e Esportes de Cuba, e Fernando Mascarenhas, professor da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (UnB). A conferência tratou das responsabilidades do Estado diante das históricas demandas dos movimentos sociais na formatação das políticas públicas de esporte e lazer, a fim de contemplar os direitos sociais das populações frente aos megaeventos esportivos. A abordagem dada pelos dois conferencistas assumiu caminhos diferentes e muito interessantes.

    Antônio Becali refletiu sobre a necessidade de uma megapreparação dos atletas para os megaeventos, a fim de garantir o respeito do país para com seus atletas e dos atletas para com a tradição e os valores de seus povos.  Ele apontou 16 indicadores de excelência necessários para técnicos e comissões técnico-científicas de alto-rendimento, competências sem as quais entende ser irresponsável um país submeter seus atletas a altas performances olímpicas. O professor Fernando Mascarenhas desvelou, com maestria e refinamento metodológico-científico, os bastidores da relação entre o Estado brasileiro e as organizações esportivas, mostrando em sua síntese a utilização ideológica inconsequente dos megaeventos esportivos no ambiente da política do PCdoB e do PT, em especial no governo Lula. Construiu em sua exposição um cenário que nos permitiu perceber estarmos vivendo uma política pública esportiva de caráter desenvolvimentista. Ela traz para o país e para o continente latino-americano os megaeventos Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016, entre outros, cujos grandes beneficiários serão novamente os grupos empresariais nacionais e transnacionais, e não o povo. Portanto, trará o desenvolvimento do subdesenvolvimento esportivo e econômico à população brasileira.   

    A conferência da noite teve como tema “A mídia, o jornalismo esportivo e a cobertura dos megaeventos esportivos”.     Diante da especificidade do tema, foi feito convite aos pesquisadores do Labomídia (Laboratório de Estudos sobre Esporte e Mídia do CDS/DEF/UFSC) para coordenação da mesa, representado na coordenação da mesa pelo professor Fernando Bittencourt. Com discrição e harmonia, Fernando conduziu a conferência do jornalista Juca Kfouri, que com sua fala abrilhantou a noite por mais de uma  hora, mostrando com fatos de sua vivência jornalística como vem sendo tratado o tema das políticas públicas de esporte e lazer pelas sucessivas administrações do Estado (governos Lula e FHC) e pelas elites esportivas “encasteladas” nos órgãos governamentais brasileiros, nas federações, nas confederações, no Comitê Olímpico Nacional e nos comitês organizadores da Copa 2014 e das Olimpíadas 2016.

     Se faltou um debate mais aprofundado sobre temas afetos à indústria cultural, à mídia, e ao jornalismo esportivo,  sobraram deste grande profissional exemplos de ousadia, coragem e comprometimento com a verdade. Kfouri há muito tempo insurge sua voz, como poucos profissionais de sua área, contra as “falcatruas” promovidas pelas elites esportivas antipovo do Brasil e do mundo. No terceiro dia, 11 de abril, na conferência da manhã, sob a coordenação do professor Nildo Ouriques,  um dos principais  expoentes do pensamento latino-americano do IELA, fomos brindados  com a presença de  dois grandes conhecedores do ambiente econômico dos esportes – professores Marcelo Proni, da Universidade Estadual de Campinhas/Unicamp, e Nilso Ouriques, da Universidade Estadual do Oeste de Santa Catarina/Unoesc/Joaçaba. Marcelo Proni fez uma exposição didática sobre o processo histórico de transformação das Copas do Mundo de Futebol e Olimpíadas, demarcando as diferentes formas assumidas por esses eventos,  tanto como espetáculo de interação dos povos quanto como  instrumento de acumulação capitalista (negócio). Proni encerrou sua fala analisando os megaeventos esportivos midiáticos,  assumidos pela Copa do Mundo de Futebol e pelas Olimpíadas,  como forma mais evoluída de mercadoria.

              Na sequência, Nilso Ouriques baseou os eixos de sua fala nos horizontes da teoria da acumulação capitalista exercida pelos países centrais sobre os países periféricos em uma operação de expropriação econômica daqueles sobre esses. O coordenador da mesa, professor Nildo Ouriques, valendo-se de seu acúmulo teórico sobre o tema, praticamente propiciou uma terceira conferência ao comentar e ampliar os temas trazidos à mesa pelos conferencistas convidados. Suas observações apontaram para um claro caminho:  o da recuperação das teses do projeto nacional popular latino-americano para fazer a crítica e indicar a superação da forma econômica dos megaeventos esportivos. Sugeriu, inclusive, que se iniciasse no Brasil um grande movimento de caráter mundial pelo fim deste modelo de promover o esporte e a integração entre os povos.

    À noite, sob a coordenação da jornalista do IELA Raquel Moysés, os conferencistas Eddie Cottle (África do Sul) e Raumar Rodrigues Gimenez (Uruguai) nos mostraram os horizontes esportivos de seus países. Eddie Cottle trouxe-nos à reflexão a inconsequência e a falácia dos chamados legados da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul (e continente africano). Segundo ele, além de não produzirem os propagados legados, os megaeventos geram frentes de trabalho nocivas aos trabalhadores da construção civil, uma vez que os exíguos prazos para a realização das obras levam à exaustão de suas forças, promovendo, por outro lado, altos lucros à indústria da construção.

    Esse fato gerou greves motivadas, em especial,  pelo fato de os trabalhadores sul-africanos não aceitarem que seus salários fossem regulados por índices de inflação oficiais. Eles protagonizaram debates sobre a correção de seus salários a partir dos lucros obtidos pela classe empresarial, além de reivindicarem condições de segurança e moradia digna, entre outros temas. Essa mobilização, por sua vez, gerou uma metodologia de organização e resistência dos trabalhadores da construção civil, exportada para os trabalhadores do Brasil e do mundo – legado popular significativo como instrumento de resistência, luta e defesa da vida dos trabalhadores em suas relações com o capitalismo que orbita ao redor dos megaeventos esportivos.

    O professor Raumar expôs o processo histórico de construção do civismo, nacionalismo, controle social e ideológico no Uruguai,  por meio das práticas esportivas.
    Encerrando a nona edição das Jornadas Bolivarianas, sob a coordenação do professor Fábio Pinto, referência no ensino de educadores populares e na estruturação de núcleos de capoeira Angola em comunidades economicamente empobrecidas da Ilha de Florianópolis, tivemos, no dia 12 de abril, a conferência do jornalista Mauricio Mejía, do México, e de Renato Consentino Vianna Guimarães, do Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas/Brasil. Mejía mostrou, por meio de dados, que mesmo o México tendo sediado duas Copas do Mundo de Futebol (1970 e 1986) e uma Olimpíada (1968) não houve alterações significativas no índice de diminuição de pobreza nem no aumento de práticas esportivas em seu país. Apontou a necessidade de fazer a crítica ao sistema olímpico que aprisionou e empobreceu as dimensões lúdicas e de humanização do esporte.

    Renato Guimarães trouxe imagens, dados e relatos de moradores do Rio de Janeiro,  que mostram a perversidade das desapropriações, demolição de equipamentos esportivos e do erguimento de muros para esconder favelas - tudo em nome dos megaeventos esportivos. Segundo ele, um instrumento simbólico e econômico de opressão e legitimação do avanço da especulação imobiliária sobre as áreas públicas e as populações urbanas economicamente empobrecidas.      A mensagem final, deixada por esta última mesa, aponta para a necessidade de fortalecer os movimentos sociais e promover ações diretas para barrar os abusos que vêm sendo cometidos contra as populações.

    Para nós, do IELA, as Jornadas não são apenas eventos, devendo gerar processos de ação social  mais amplos. Nesse sentido, destacamos os seguintes encaminhamentos:
•    Empenho na formalização de convênios de intercâmbio da UFSC com as Universidades de Havana/Cuba e Andina Simón Bolívar (Quito/Equador) para continuarmos tratando de temas científicos envolvendo nossos grupos de pesquisa. Por meio de portal,  já existente na Universidade Andina Simón Bolívar, também será constituído um “link” para divulgação de temas referentes aos megaeventos Copa do Mundo 2014 e Olimpíada 2016 no Brasil para países da América Latina de língua espanhola. Essa ação atingirá 50 mil  pessoas e 25 universidades.
•    Realização, no segundo semestre de 2013, de um fórum dos municípios de Santa Catarina do campo da esquerda para tratar do tema das proposições de políticas públicas do Estado. Na ocasião, também será oficializada a constituição do movimento pela democratização do esporte e lazer no Estado, que contará com a presença de movimentos sociais, sindicatos, professores universitários, secretaria estadual do Colégio Brasileiro de Ciências dos Esportes/CBCE e representantes de diversos segmentos da comunidade esportiva.
•    Pretendemos, no prazo máximo de três meses, enviar  para publicação o livro com os textos das conferências das Jornadas Bolivarianas -  9ª edição.
•    Encontra-se, sob avaliação, o livro de Eddie Cottle – “South África`s Wold Cup: A Legacy For Whom?” (“Copa do Mundo da África do Sul: um legado para quem?”)– a fim de traduzi-lo para a língua portuguesa. O autor autorizou também que,   se sair  uma  edição em português,  haja a complementação de sua obra com texto a respeito das críticas feitas ao esporte pelo campo crítico da Educação Física brasileira, a ser produzido por membros do Vitral Latino-Americano de Educação Física, Esporte e Saúde, um dos núcleos do IELA. 

    Apontamos,  como fato negativo, a absoluta ausência de integrantes/representantes dos meios de comunicação esportivos de Florianópolis e região e de dirigentes esportivos, que insistem em se manter alheios a toda e qualquer manifestação científica contrária aos interesses das classes dominantes. Por fim, deixamos nossos mais sinceros agradecimentos a todos que se empenharam  para a efetivação das Jornadas Bolivarianas, em sua nona edição.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Copa do Mundo - Pernambuco

Enquanto os animais e as gentes morrem por conta da seca, seguem as obras da Arena Pernambuco. Tudo pela Copa.


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Memória fotográfica das Jornadas Bolivarianas

Evento desse ano discutiu os megaeventos esportivos. No Brasil estão sendo preparados a Copa do Mundo em 2014, e as Olimpíadas em 2016. As Jornadas Bolivarianas apontaram a necessidade de o esporte não ser visto como mercadoria, mas como elemento fundamental da saúde dos povos.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Os grandes eventos esportivos e a destruição da vida


Propaganda da Petrobras 

por elaine tavares - jornalista

A fala do jornalista mexicano Maurício Mejía, durante a nona edição das Jornadas Bolivarianas, deu o tom acerca do que se transformou o esporte, não só no Brasil, mas em quase todos os países do mundo, principalmente os chamados subdesenvolvidos: negócio, espetáculo, mercadoria. Segundo ele, no México, que hoje conta com pouco mais de 110 milhões de habitantes, grande parte da população pode dizer como está o Barcelona, quem são os melhores no basquete, os campeões da natação, mas, de fato, 72% dos maiores de 12 anos não praticam e nunca praticarão esportes. No geral, os mexicanos se deixam ficar à frente da televisão assistindo e consumindo o que incita a propaganda. "O México é um país que não joga, tem 7% de analfabetos e mais de 52 milhões na linha da pobreza. Por outro lado, quase 95% das casas tem uma televisão. Os mexicanos leem um média de meio livro por ano, e toda a informação que lhes chega é pela televisão. A considerar a qualidade da televisão do país, o resultado em alienação e consumo sem crítica é assustador". Mejía lembra que apesar de ser um país no qual a população não pratica esporte, o México já sediou duas Copas do Mundo e uma Olimpíadas. Assim, pode-se observar que o legado desses eventos que tanto consomem de dinheiro público é praticamente nenhum.

Para Jaime Breilh, médico e epidemiologista equatoriano que discute a relação saúde e esporte, isso não é novidade. Segundo ele, no sistema capitalista o esporte, como tudo, está ligado a uma lógica de morte, e não de vida. É que o sistema orienta toda a sua força para a produção de mercadorias e isso implica na consolidação de um modelo específico de civilização. Dentro do capitalismo, portanto, o esporte assume essa condição também e a vida assim como a saúde das pessoas é o que menos importa. O que vale é saber como conseguir mais acumulação de capital. Se nesse movimento for necessário sacrificar pessoas, espaços, natureza, o que for, não tem problema.

Essa afirmação encontra concretude na narrativa de Renato Cosentino, do Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas. Embasado em documentos e vídeos de propaganda do próprio governo, ele mostrou como a cidade está sendo preparada para os grandes eventos esportivos, sem que sejam levadas em conta as preocupações da população. Obras faraônicas estão sendo feitas, comunidades inteiras estão sendo destruídas, vidas aniquiladas e tudo em nome da beleza do espetáculo. Até o velho Maracanã será privatizado, com tudo a sua volta sendo arrasado. Assim foi eliminada uma histórica pista de atletismo que ficava ao lado do estádio, bem como um dos melhores colégios públicos do Rio, que deverá ir abaixo até a Copa de 2014. As peças de propaganda do novo estádio mostram o mesmo como um lugar de executivos, no qual os torcedores ocuparão cadeiras estofadas e vibrarão de terno e gravata. Um lugar para a elite e não para o povo. Também foi possível ver as explicações dos governantes do Rio de janeiro, mostrando em vídeos promocionais, como construirão estradas que passam por cima de comunidades inteiras, sem que a vida das pessoas seja respeitada.

Essa lógica do esporte como um mero espetáculo, como mercadoria, é coisa dos tempos modernos, do sistema capitalista. Desde que as Olimpíadas surgiram na Grécia, o elemento principal do encontro era justamente o amadorismo. A proposta era incentivar aqueles e aquelas que praticavam esporte a um convívio saudável de troca de experiência e de propagação da ideia de que o esporte produz uma vida plena. Segundo Marcelo Proni, da Universidade de Campinas, esse tipo de consciência sobre o esporte só existiu até os anos 30, quando então também a política passou a se imiscuir no processo. As Olimpíadas de Berlim, comandadas por Hitler, já assumiam um caráter de doutrinação e depois da segunda mundial, a disputa política da chamada guerra frio passou também a se misturar com o evento. As competições passaram a ser também entre as nações. Nos anos 60 do século passado, com a entrada da televisão e os direitos de transmissão, o dinheiro passou a mandar e o esporte assumiu a sua condição de mercadoria.

Proni também acredita que até a Copa do México esse tipo de evento não seria considerado algo que obrigatoriamente deixasse um legado. As exigências com relação aos equipamentos e espaços não eram tão grandes. Foi depois do ano de 1986, com achegada de Havelange na Fifa e sua ligação visceral com a Adidas que o futebol passou a ser um negócio a mais. Nos anos 90, esse tipo de evento ficou restrito aos países mais ricos, mas, depois, com o chamado processo de crescimento de algumas nações até então subdesenvolvidas, o foco mudou. O capital precisava se expandir e nada melhor do que entrar nesses países que principiavam a crescer. É o caso da China, África do Sul e agora o Brasil. Como se pode ver, tudo está ligado às necessidades da acumulação do capital.

O jornalista Juca Kfouri, que acompanha o esporte brasileiro desde há anos, não teve pudores em afirmar que por aqui tudo está "podre". Segundo ele, o Brasil não tem uma política esportiva, logo eventos como a Copa e as Olimpíadas não podem deixar qualquer legado. Conta que chegou a acreditar que com o governo Lula as coisas pudessem começar a mudar, mas, aos poucos, também Lula foi se deixando seduzir e nada avançou. Para Juca, o esporte no Brasil acaba sendo apenas um escoadouro de lavagem de dinheiro e máquina de lucro para muito poucos.  A chamada "década dos esportes", como os governantes tem chamado esses anos em que vão realizar os dois grandes eventos esportivos, deixará dívidas para o país e sofrimento para grandes fatias da população que estão sendo removidas ou violentadas, como é o caso das comunidades "pacificadas". Juca lembrou que não tem o menor cabimento construir "arenas" gigantescas em lugares como Manaus ou Natal, onde não haverá demanda para ocupação. O destino desses lugares, que consumirão milhões de reais certamente será o mesmo dos grandes estádios construídos em outros países que acabaram sendo sucateados, demolidos ou abandonados. É o caso do famoso Ninho de Pássaro, da China, que há anos não vê um jogo de futebol. 

Eddie Cottle, sindicalista sul-africano, mostrou claramente o que aconteceu no seu país por conta da realização da última Copa. Uma espécie de repetição de tudo aquilo que temos visto acontecer por aqui. Obras faraônicas, comunidades inteiras removidas, lugares "higienizados", e exploração dos trabalhadores. Segundo ele, um grande estádio, construído na cidade do cabo, agora está para ser implodido, pois não há como manter uma estrutura tão gigantesca. Ou seja, dinheiro público jogado às traças. Eddie conta que durante todo o processo de preparação para a Copa, muitas foram as lutas do povo, capitaneadas principalmente pelos sindicatos, que foram muito atuantes. "Conseguimos alguns avanços no que diz respeito a direitos, mas foi tudo". As centenas de famílias desalojadas continuam vagando pela capital e os que foram levados para a tristemente famosa "cidade de lata", seguem vivendo nos contêineres, sem  perspectivas de terem suas casas de verdade. Eddie ainda contou que os sindicatos descobriram um documento, assinado entre o estado e as empresas que "fizeram" a Copa, no qual o estado dava todas as garantias para exploração e venda de serviços e mercadorias. Ao final, os que ganharam com a Copa foram as empresas multinacionais e as elites locais. Nada mais que isso.

No Brasil, o envolvimento dos sindicatos é praticamente nulo diante de todas as mazelas que já se concretizaram e das que se anunciam. Segundo o professor Fernando Mascarenhas, da UNB, mesmo os movimentos sociais mais combativos não estão dando atenção para o processo que envolve toda a construção da Copa e das Olimpíadas. "Não se vê o MST falando no assunto, nem os sindicatos". Para ele, sem o envolvimento dessas forças, a "patrola" dos megaeventos vai passar e apenas os atingidos de primeiro turno se mobilizarão, como é o caso das famílias desalojadas que hoje, no Rio de janeiro, principalmente, travam uma luta renhida. O fato é que há uma ignorância completa sobre o tema e, no geral, a esquerda sempre se mostrou bastante avessa a qualquer coisa ligada ao esporte. Juca Kfouri lembrou que quando era mais jovem e militava na esquerda, várias vezes foi chamado de alienado por gostar de futebol. O professor Nilso Ouriques, da Unoesc, também fez referência a esse preconceito, o que mostra o tanto que o tema não encontra eco nas cabeças mais "revolucionárias".

Nada mais equivocado do que abandonar o país a própria sorte nesse universo de megaeventos. O esporte - e principalmente o futebol - permeia a vida cotidiana de grande parte da população e as consequência para o país de toda a essa maquiagem que se está produzindo nas chamadas cidades-sede  repercutirão em toda a sociedade. A "lógica da morte" avança a passos largos, os acordos com as grandes empresas se fazem às claras. O país corre o risco de construir uma estrutura gigantesca - com grandes quantias de dinheiro público - que mais tarde serão abandonadas e não servirão para a democratização do esporte. Pelo contrário. Por suas características grandiosas, gerarão despesas demais e os atletas amadores não encontrarão abrigo em seus muros.

Assim como no México, onde a realização de duas Copas e uma Olimpíada não gerou nenhum avanço na prática de esporte, a tendência é de que no Brasil, a situação até piore. Com a destruição dos campinhos, com a derrubada das comunidades e o avanço da especulação imobiliária é mais provável que a prática de esporte diminua.

A nota dissonante durante as Jornadas Bolivarianas foi a realidade cubana. Na ilha socialista o esporte está submetido a uma política de estado e está incorporado a prática cotidiana da população. Vive não apenas nas escolas, onde a prática da educação física é obrigatória, mas se democratiza na proliferação de centros de esportes, praças, campos de futebol, de basquete, de basebol, de atletismo, em cada pequena cidade. A lógica é de pequenas estruturas para atender a todos. A performance que os atletas cubanos conseguem nas competições vem justamente dessa política que investe na saúde bem como no esporte de rendimento, mas só o consegue porque tem o esporte encarnado na vida das gentes. Para um cubano, a realidade do atleta que se vende a patrocínios, que é comprado por outros países para aumentar o número de medalhas, é totalmente incompreensível. O esporte em Cuba não é mercadoria, está intimamente ligado à saúde da população e no campo competitivo se vincula ao sentimento de profundo amor pela pátria. Jogar numa olimpíada é defender Cuba.

E já que falamos em medalhas, Jaime Breilh, do Equador, também desmistificou esse tal quadro de medalhas que tanto é divulgado durante os jogos olímpicos e que parece deixar patente o fato de que só os países ricos, como os Estados Unidos ou a China, estão no topo do mundo do esporte. Jaime chama a atenção para que as pessoas façam as contas pelo número de habitantes dos países. Assim, ele chega a um quadro diferente sobre os "melhores do mundo". No ano de 1998, por exemplo, o quadro de medalhas ficou assim:  Em primeiro lugar os estados Unidos, depois Rússia, depois China. Mas confrontados com o número de habitantes, a coisa muda: em primeiro fica a Nova Zelândia, depois Cuba, seguida da Dinamarca. Os Estados Unidos cairiam para vigésimo primeiro e China para trigésimo. Então, é tudo uma questão de perspectiva.

Para os conferencistas que fizeram as Jornadas Bolivarianas desse ano o esporte é algo que deve ser levado a sério, pois ele não é mercadoria. Está ligado intimamente ligado com a saúde, com a qualidade de vida, com a soberania de um povo.  E, no caso do Brasil, ainda há tempo de caminhar para uma política que atue no sentido de garantir a prática esportiva com qualidade, com espaços adequados, de caráter popular. Assim, em vez de construir "arenas" gigantescas e inúteis, o Ministério dos Esportes deveria se preocupar em definir uma política nacional de esporte comunitário, para produzir vida e saúde e não consumidores de produtos tão inúteis quanto as propaladas arenas. É preciso que o ministro Aldo Rabelo defenda mais o povo brasileiro do que a Nike. Se isso não mudar, a tendência é caminharmos para um país em que pessoas obesas se postarão diante da TV para falar de esporte, sem vivê-lo. E, no que diz respeito aos grandes eventos, corremos o risco de inventar um país que não existe, apenas para entrar no jogo do negócio. Renato Cosentino, do Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, mostrou uma propaganda da Petrobrás no exterior, falando sobre o pré-sal, que exibe uma foto aérea do Rio de Janeiro, na qual as favelas e todos os sinais de pobreza foram apagados pelo fotoshop. Essa é a dura realidade do Brasil. Está sendo preparado para a Copa, e haverá de eliminar os pobres, custe o que custar. Tudo em nome de alguns dias de entretenimento para muito poucos e de lucros estratosféricos para muito poucos também.
  


Abertura
Juca Kfouri
geral público



sexta-feira, 5 de abril de 2013

Programação das Jornadas Bolivarianas 2013


PROGRAMAÇÃO

09 DE ABRIL DE 2013 - TERÇA-FEIRA

Noite - Auditório da Reitoria/UFSC

18:30 h - Abertura oficial das IX Jornadas Bolivarianas
19:00 h - Conferência de abertura:
Os Megaeventos Esportivos: Impactos, Consequências e Legados para o Continente Latino-Americano
Conferencista:
Jaime Breilh (Equador)
Doutor e Diretor da Área de Saúde da Universidade Andina Simón Bolivar
Coordenador do Global Health para a América
Coordenação:
Edgar Matiello
Vitral Latino-Americano/CDS/UFSC

10 DE ABRIL DE 2013 - QUARTA-FEIRA

Manhã - Auditório da Reitoria/UFSC

09:00 h - Conferência:
O Estado, os Movimentos Sociais, as Políticas Públicas de Esporte e Lazer e os Direitos Sociais frente aos Megaeventos Esportivos
Antonio Becali Garrido (Cuba)
Reitor da Universidade de Ciências da Cultura Física e Esporte
Fernando Mascarenhas (Brasil)
Faculdade de Educação Física da UNB
Coordenação:
Maurício Roberto da Silva
CDS/UFSC

Tarde - UFSC e Hall da Reitoria/UFSC

14:30 - 18:00 h - Apresentação de Trabalhos

Noite - Auditório da Reitoria/UFSC

18:30 h - Conferência:
A Mídia, o Jornalismo Esportivo e a Cobertura dos Megaeventos Esportivos
Juca Kfouri (Brasil)
Jornalista e Colunista Esportivo
Maurício Mejía (México)
Jornalista, Diretor Editorial do Ludens Offside
Coordenação:
Fernando Gonçalves Bitencourt
Labomídia/UFSC


11 DE ABRIL DE 2013 - QUINTA-FEIRA

Manhã - Auditório da Reitoria/UFSC

09:00 h - Conferência:
Acumulação do capital e megaeventos esportivos
Nilso Ouriques (Brasil)
Unoesc
Marcelo Proni (Brasil)
Unicamp
Coordenação:
Nildo Ouriques (Brasil)
IELA/UFSC

Tarde - UFSC e Hall da Reitoria/UFSC

14:30 - 18:00 h - Apresentação de Trabalhos

Noite - Auditório da Reitoria/UFSC

19:00 h - Conferência:
Cidades, Participação Popular, Economia e os legados dos megaeventos esportivos
Eddie Cottle (África do Sul)
Jornalista e Escritor
Autor do livro South África's Wold Cup: A Legacy For Whom? (Copa do Mundo da África do Sul: um legado para quem?)
Raumar Rodrigues Gimenez (Uruguai)
Universidade República do Uruguai
Coordenação:
Raquel Moysés
IELA/UFSC

12 DE ABRIL DE 2013 - SEXTA-FEIRA

Manhã - Auditório da Reitoria/UFSC

09:00 h - Conferência:
O impacto dos megaeventos nas comunidades
Renato Cosentino Vianna Guimarães (Brasil)
Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
Paulo Ricardo do Canto Capela (Brasil)
Vitral Latino-Americano de Educação Física, Esportes e Saúde/UFSC
Coordenação:
Fábio Pinto
Projeto Córdoba/Colégio de Aplicação/UFSC

12:00 h - Encerramento


www.iela.ufsc.br
iela@iela.ufsc.br
48. 37216483 - 99078877

Memória das Jornadas Bolivarianas




São nove anos de Jornadas Bolivarianas. Espaço de debate e criação do pensamento próprio e crítico.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Os pré-efeitos da Copa

   

Enquanto acontecem as obras de grandes estádios para a Copa do Mundo, famílias amargam o desalojo. Deixam suas casas e suas vidas para trás...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Na marca do pênalti


As Jornadas Bolivarianas de 2013 terão como tema os megaeventos esportivos, vistos nos seus variados aspectos: econômico, político, de mobilização popular, cultural, saúde, organização urbana. A proposta deste seminário internacional, que acontece na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) há nove edições, é de fazer um debate crítico, saindo do lugar comum que se vê na mídia comercial, de ufanismos e maravilhas.

Eventos desta natureza, muito mais do que propiciar lazer e divertimento tornaram-se espaços de acumulação do capital. Com eles, muito poucos têm grandes lucros e a maioria das populações dos lugares onde acontecem acabam tendo apenas ganhos periféricos, quando não vivem processos violentos de remoção.   

Para compreender de forma crítica este atualíssimo modo de acumulação capitalista, o Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA/UFSC) traz a Florianópolis, de 9 a 12 de abril, renomados estudiosos e líderes populares de vários países. A abertura, no dia 9 de abril, contará com a presença do equatoriano Jaime Breilh, da Universidad Andina Simón Bolívar. Jaime é médico e um dos fundadores do movimento latino-americano da nova saúde pública, sendo o foco do seu trabalho a discussão da saúde esportiva como negócio e prática destrutiva. Segundo ele, a lógica dos megaeventos desfaz de maneira cabal a ideia do esporte como sinônimo de saúde.

Outra presença significativa é a do cubano Antonio Becali Garrido, reitor da Universidad de Ciencias de la Cultura Física y el Deporte, que trará para o debate a concepção cubana de esporte e sua posição diante dos megaeventos. Participa também o professor Fernando Mascarenhas, da Universidade de Brasília, com larga trajetória na discussão do esporte brasileiro, tendo sido membro do Conselho Nacional do Esporte e presidente do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.

Raumar Rodrigues Gimenez, professor da Universidad Nacional de Uruguai, traz a reflexão do esporte como espaço de cultura e analisa os efeitos dos megaeventos nesta perspectiva. Marcelo Weishaupt Proni, professor da Unicamp, atua na área da economia do esporte, tendo forte atuação na crítica do futebol-empresa e dos impactos que megaeventos esportivos geram nas economias locais. Nilso Ouriques, professor da Unoesc, que recentemente lançou um retrato do esporte catarinense com o livro "A miséria do esporte", faz a discussão da acumulação do capital gerada por megaeventos esportivos.

No campo da mídia, as jornadas contarão com a presença de dois jornalistas de visão crítica. Um deles é o brasileiro Juca Kfouri, da ESPN, conhecido por sua seriedade, coragem e profissionalismo. Um ícone do pensamento crítico no mundo esportivo. O outro é o jornalista mexicano Maurício Mejía, também bastante conhecido no México por sua visão diferenciada no debate esportivo, saindo do senso comum, típico da mídia comercial.

Outro estudioso que fará sua conferência nas Jornadas é o sul-africano Eddie Cottle, que lançou há pouco tempo um denso trabalho sobre a Copa do Mundo realizada no seu país. Olhando o evento desde o campo popular e na perspectiva dos trabalhadores, Eddie poderá mostrar como a África do Sul foi afetada e quais os impactos deixados na população.

Já o representante do debate popular no Brasil será Renato Cosentino Vianna Guimarães, do Comitê Popular Rio Copa Olimpíadas, entidade que vem travando batalhas importantes pelo direito ao esporte e à vida, principalmente no que diz respeito aos despejos e à privatização do Maracanã. Paulo Ricardo do Canto Capela, presidente do Iela e professor do Centro de Esportes da UFSC, encerra o evento, discutindo a necessidade de o esporte sair da órbita do negócio e se encarnar no mundo da vida.

As atividades das Jornadas Bolivarianas – 9ª. edição - começam numa terça-feira, 9 de abril de 2013, a partir das 18h30min. Veja a programação completa:

PROGRAMAÇÃO

09 DE ABRIL DE 2013 - TERÇA-FEIRA

Noite - Auditório da Reitoria/UFSC

18:30 h - Abertura oficial das IX Jornadas Bolivarianas
19:00 h - Conferência de abertura:
Os Megaeventos Esportivos: Impactos, Consequências e Legados para o Continente Latino-Americano
Conferencista:
Jaime Breilh (Equador)
Doutor e Diretor da Área de Saúde da Universidade Andina Simón Bolivar
Coordenador do Global Health para a América
Coordenação:
Edgar Matiello
Vitral Latino-Americano/CDS/UFSC

10 DE ABRIL DE 2013 - QUARTA-FEIRA

Manhã - Auditório da Reitoria/UFSC

09:00 h - Conferência:
O Estado, os Movimentos Sociais, as Políticas Públicas de Esporte e Lazer e os Direitos Sociais frente aos Megaeventos Esportivos
Antonio Becali Garrido (Cuba)
Reitor da Universidade de Ciências da Cultura Física e Esporte
Fernando Mascarenhas (Brasil)
Faculdade de Educação Física da UNB
Coordenação:
Maurício Roberto da Silva
CDS/UFSC

Tarde - UFSC e Hall da Reitoria/UFSC

14:30 - 18:00 h - Apresentação de Trabalhos

Noite - Auditório da Reitoria/UFSC

18:30 h - Conferência:
A Mídia, o Jornalismo Esportivo e a Cobertura dos Megaeventos Esportivos
Juca Kfouri (Brasil)
Jornalista e Colunista Esportivo
Maurício Mejía (México)
Jornalista, Diretor Editorial do Ludens Offside
Coordenação:
Fernando Gonçalves Bitencourt
Labomídia/UFSC

11 DE ABRIL DE 2013 - QUINTA-FEIRA

Manhã - Auditório da Reitoria/UFSC

09:00 h - Conferência:
Acumulação do capital e megaeventos esportivos
Nilso Ouriques (Brasil)
Unoesc
Marcelo Proni (Brasil)
Unicamp
Coordenação:
Nildo Ouriques (Brasil)
IELA/UFSC

Tarde - UFSC e Hall da Reitoria/UFSC

14:30 - 18:00 h - Apresentação de Trabalhos

Noite - Auditório da Reitoria/UFSC

19:00 h - Conferência:
Cidades, Participação Popular, Economia e os legados dos megaeventos esportivos
Eddie Cottle (África do Sul)
Jornalista e Escritor
Autor do livro South África's Wold Cup: A Legacy For Whom? (Copa do Mundo da África do Sul: um legado para quem?)
Raumar Rodrigues Gimenez (Uruguai)
Universidade República do Uruguai
Coordenação:
Raquel Moysés
IELA/UFSC

12 DE ABRIL DE 2013 - SEXTA-FEIRA

Manhã - Auditório da Reitoria/UFSC

09:00 h - Conferência:
O impacto dos megaeventos nas comunidades
Renato Cosentino Vianna Guimarães (Brasil)
Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
Paulo Ricardo do Canto Capela (Brasil)
Vitral Latino-Americano de Educação Física, Esportes e Saúde/UFSC
Coordenação:
Fábio Pinto
Projeto Córdoba/Colégio de Aplicação/UFSC

12:00 h - Encerramento


Informações:

Fone: +55(48) 37216483 – 3721-4938 - 99078877

terça-feira, 19 de março de 2013

Veja quem vem para as Jornadas Bolivarianas 2013



As Jornadas Bolivarianas de 2013 terão como tema os megaeventos esportivos, vistos nos seus variados aspectos: econômico, político, de mobilização popular, cultural, saúde, organização urbana. A proposta deste seminário internacional, que acontece na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) há nove edições, é de fazer um debate crítico, saindo do lugar comum que se vê na mídia comercial, de ufanismos e maravilhas.

Eventos desta natureza, muito mais do que propiciar lazer e divertimento tornaram-se espaços de acumulação do capital. Com eles, muito poucos têm grandes lucros e a maioria das populações dos lugares onde acontecem acabam tendo apenas ganhos periféricos, quando não vivem processos violentos de remoção.

Para compreender de forma crítica este atualíssimo modo de acumulação capitalista, o Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA/UFSC) traz a Florianópolis, de 9 a 12 de abril, renomados estudiosos e líderes populares de vários países.

A abertura, no dia 9 de abril, contará com a presença do equatoriano Jaime Breilh, da Universidad Andina Simón Bolívar. Jaime é médico e um dos fundadores do movimento latino-americano da nova saúde pública, sendo o foco do seu trabalho a discussão da saúde esportiva como negócio e prática destrutiva. Segundo ele, a lógica dos megaeventos desfaz de maneira cabal a ideia do esporte como sinônimo de saúde.

Outra presença significativa é a do cubano Antonio Becali Garrido, reitor da Universidad de Ciencias de la Cultura Física y el Deporte, que trará para o debate a concepção cubana de esporte e sua posição diante dos megaeventos. Participa também o professor Fernando Mascarenhas, da Universidade de Brasília, com larga trajetória na discussão do esporte brasileiro, tendo sido membro do Conselho Nacional do Esporte e presidente do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.

Raumar Rodríguez Gimenez, professor da Universidad Nacional de Uruguai, traz a reflexão do esporte como espaço de cultura e analisa os efeitos dos megaeventos nesta perspectiva. Marcelo Weishaupt Proni, professor da Unicamp, atua na área da economia do esporte, tendo forte atuação na crítica do futebol-empresa e dos impactos que megaeventos esportivos geram nas economias locais. Nilso Ouriques, professor da UNOESC, que recentemente lançou um retrato do esporte catarinense com o livro "A miséria do esporte", faz a discussão da acumulação do capital gerada por megaeventos esportivos.


No campo da mídia, as jornadas contarão com a presença de dois jornalistas de visão crítica. Um deles é o brasileiro Juca Kfouri, da ESPN, conhecido por sua seriedade, coragem e profissionalismo. Um ícone do pensamento crítico no mundo esportivo. O outro é o jornalista mexicano Maurício Mejía, também bastante conhecido no México por sua visão diferenciada no debate esportivo, saindo do senso comum, típico da mídia comercial.

Outro estudioso que fará sua conferência nas Jornadas é o sul-africano Eddie Cottle, que lançou há pouco tempo um denso trabalho sobre a Copa do Mundo realizada no seu país. Olhando o evento desde o campo popular e na perspectiva dos trabalhadores, Eddie poderá mostrar como a África do Sul foi afetada e quais os impactos deixados na população.

Já o representante do debate popular no Brasil será Renato Cosentino Vianna Guimarães, do Comitê Popular Rio Copa Olimpíadas, entidade que vem travando batalhas importantes pelo direito ao esporte e à vida, principalmente no que diz respeito aos despejos e à privatização do Maracanã. Paulo Ricardo do Canto Capela, presidente do IELA e professor do Centro de Esportes da UFSC, encerra o evento, discutindo a necessidade de o esporte sair da órbita do negócio e se encarnar no mundo da vida.