quinta-feira, 25 de abril de 2013

Copa do Mundo - Pernambuco

Enquanto os animais e as gentes morrem por conta da seca, seguem as obras da Arena Pernambuco. Tudo pela Copa.


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Memória fotográfica das Jornadas Bolivarianas

Evento desse ano discutiu os megaeventos esportivos. No Brasil estão sendo preparados a Copa do Mundo em 2014, e as Olimpíadas em 2016. As Jornadas Bolivarianas apontaram a necessidade de o esporte não ser visto como mercadoria, mas como elemento fundamental da saúde dos povos.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Os grandes eventos esportivos e a destruição da vida


Propaganda da Petrobras 

por elaine tavares - jornalista

A fala do jornalista mexicano Maurício Mejía, durante a nona edição das Jornadas Bolivarianas, deu o tom acerca do que se transformou o esporte, não só no Brasil, mas em quase todos os países do mundo, principalmente os chamados subdesenvolvidos: negócio, espetáculo, mercadoria. Segundo ele, no México, que hoje conta com pouco mais de 110 milhões de habitantes, grande parte da população pode dizer como está o Barcelona, quem são os melhores no basquete, os campeões da natação, mas, de fato, 72% dos maiores de 12 anos não praticam e nunca praticarão esportes. No geral, os mexicanos se deixam ficar à frente da televisão assistindo e consumindo o que incita a propaganda. "O México é um país que não joga, tem 7% de analfabetos e mais de 52 milhões na linha da pobreza. Por outro lado, quase 95% das casas tem uma televisão. Os mexicanos leem um média de meio livro por ano, e toda a informação que lhes chega é pela televisão. A considerar a qualidade da televisão do país, o resultado em alienação e consumo sem crítica é assustador". Mejía lembra que apesar de ser um país no qual a população não pratica esporte, o México já sediou duas Copas do Mundo e uma Olimpíadas. Assim, pode-se observar que o legado desses eventos que tanto consomem de dinheiro público é praticamente nenhum.

Para Jaime Breilh, médico e epidemiologista equatoriano que discute a relação saúde e esporte, isso não é novidade. Segundo ele, no sistema capitalista o esporte, como tudo, está ligado a uma lógica de morte, e não de vida. É que o sistema orienta toda a sua força para a produção de mercadorias e isso implica na consolidação de um modelo específico de civilização. Dentro do capitalismo, portanto, o esporte assume essa condição também e a vida assim como a saúde das pessoas é o que menos importa. O que vale é saber como conseguir mais acumulação de capital. Se nesse movimento for necessário sacrificar pessoas, espaços, natureza, o que for, não tem problema.

Essa afirmação encontra concretude na narrativa de Renato Cosentino, do Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas. Embasado em documentos e vídeos de propaganda do próprio governo, ele mostrou como a cidade está sendo preparada para os grandes eventos esportivos, sem que sejam levadas em conta as preocupações da população. Obras faraônicas estão sendo feitas, comunidades inteiras estão sendo destruídas, vidas aniquiladas e tudo em nome da beleza do espetáculo. Até o velho Maracanã será privatizado, com tudo a sua volta sendo arrasado. Assim foi eliminada uma histórica pista de atletismo que ficava ao lado do estádio, bem como um dos melhores colégios públicos do Rio, que deverá ir abaixo até a Copa de 2014. As peças de propaganda do novo estádio mostram o mesmo como um lugar de executivos, no qual os torcedores ocuparão cadeiras estofadas e vibrarão de terno e gravata. Um lugar para a elite e não para o povo. Também foi possível ver as explicações dos governantes do Rio de janeiro, mostrando em vídeos promocionais, como construirão estradas que passam por cima de comunidades inteiras, sem que a vida das pessoas seja respeitada.

Essa lógica do esporte como um mero espetáculo, como mercadoria, é coisa dos tempos modernos, do sistema capitalista. Desde que as Olimpíadas surgiram na Grécia, o elemento principal do encontro era justamente o amadorismo. A proposta era incentivar aqueles e aquelas que praticavam esporte a um convívio saudável de troca de experiência e de propagação da ideia de que o esporte produz uma vida plena. Segundo Marcelo Proni, da Universidade de Campinas, esse tipo de consciência sobre o esporte só existiu até os anos 30, quando então também a política passou a se imiscuir no processo. As Olimpíadas de Berlim, comandadas por Hitler, já assumiam um caráter de doutrinação e depois da segunda mundial, a disputa política da chamada guerra frio passou também a se misturar com o evento. As competições passaram a ser também entre as nações. Nos anos 60 do século passado, com a entrada da televisão e os direitos de transmissão, o dinheiro passou a mandar e o esporte assumiu a sua condição de mercadoria.

Proni também acredita que até a Copa do México esse tipo de evento não seria considerado algo que obrigatoriamente deixasse um legado. As exigências com relação aos equipamentos e espaços não eram tão grandes. Foi depois do ano de 1986, com achegada de Havelange na Fifa e sua ligação visceral com a Adidas que o futebol passou a ser um negócio a mais. Nos anos 90, esse tipo de evento ficou restrito aos países mais ricos, mas, depois, com o chamado processo de crescimento de algumas nações até então subdesenvolvidas, o foco mudou. O capital precisava se expandir e nada melhor do que entrar nesses países que principiavam a crescer. É o caso da China, África do Sul e agora o Brasil. Como se pode ver, tudo está ligado às necessidades da acumulação do capital.

O jornalista Juca Kfouri, que acompanha o esporte brasileiro desde há anos, não teve pudores em afirmar que por aqui tudo está "podre". Segundo ele, o Brasil não tem uma política esportiva, logo eventos como a Copa e as Olimpíadas não podem deixar qualquer legado. Conta que chegou a acreditar que com o governo Lula as coisas pudessem começar a mudar, mas, aos poucos, também Lula foi se deixando seduzir e nada avançou. Para Juca, o esporte no Brasil acaba sendo apenas um escoadouro de lavagem de dinheiro e máquina de lucro para muito poucos.  A chamada "década dos esportes", como os governantes tem chamado esses anos em que vão realizar os dois grandes eventos esportivos, deixará dívidas para o país e sofrimento para grandes fatias da população que estão sendo removidas ou violentadas, como é o caso das comunidades "pacificadas". Juca lembrou que não tem o menor cabimento construir "arenas" gigantescas em lugares como Manaus ou Natal, onde não haverá demanda para ocupação. O destino desses lugares, que consumirão milhões de reais certamente será o mesmo dos grandes estádios construídos em outros países que acabaram sendo sucateados, demolidos ou abandonados. É o caso do famoso Ninho de Pássaro, da China, que há anos não vê um jogo de futebol. 

Eddie Cottle, sindicalista sul-africano, mostrou claramente o que aconteceu no seu país por conta da realização da última Copa. Uma espécie de repetição de tudo aquilo que temos visto acontecer por aqui. Obras faraônicas, comunidades inteiras removidas, lugares "higienizados", e exploração dos trabalhadores. Segundo ele, um grande estádio, construído na cidade do cabo, agora está para ser implodido, pois não há como manter uma estrutura tão gigantesca. Ou seja, dinheiro público jogado às traças. Eddie conta que durante todo o processo de preparação para a Copa, muitas foram as lutas do povo, capitaneadas principalmente pelos sindicatos, que foram muito atuantes. "Conseguimos alguns avanços no que diz respeito a direitos, mas foi tudo". As centenas de famílias desalojadas continuam vagando pela capital e os que foram levados para a tristemente famosa "cidade de lata", seguem vivendo nos contêineres, sem  perspectivas de terem suas casas de verdade. Eddie ainda contou que os sindicatos descobriram um documento, assinado entre o estado e as empresas que "fizeram" a Copa, no qual o estado dava todas as garantias para exploração e venda de serviços e mercadorias. Ao final, os que ganharam com a Copa foram as empresas multinacionais e as elites locais. Nada mais que isso.

No Brasil, o envolvimento dos sindicatos é praticamente nulo diante de todas as mazelas que já se concretizaram e das que se anunciam. Segundo o professor Fernando Mascarenhas, da UNB, mesmo os movimentos sociais mais combativos não estão dando atenção para o processo que envolve toda a construção da Copa e das Olimpíadas. "Não se vê o MST falando no assunto, nem os sindicatos". Para ele, sem o envolvimento dessas forças, a "patrola" dos megaeventos vai passar e apenas os atingidos de primeiro turno se mobilizarão, como é o caso das famílias desalojadas que hoje, no Rio de janeiro, principalmente, travam uma luta renhida. O fato é que há uma ignorância completa sobre o tema e, no geral, a esquerda sempre se mostrou bastante avessa a qualquer coisa ligada ao esporte. Juca Kfouri lembrou que quando era mais jovem e militava na esquerda, várias vezes foi chamado de alienado por gostar de futebol. O professor Nilso Ouriques, da Unoesc, também fez referência a esse preconceito, o que mostra o tanto que o tema não encontra eco nas cabeças mais "revolucionárias".

Nada mais equivocado do que abandonar o país a própria sorte nesse universo de megaeventos. O esporte - e principalmente o futebol - permeia a vida cotidiana de grande parte da população e as consequência para o país de toda a essa maquiagem que se está produzindo nas chamadas cidades-sede  repercutirão em toda a sociedade. A "lógica da morte" avança a passos largos, os acordos com as grandes empresas se fazem às claras. O país corre o risco de construir uma estrutura gigantesca - com grandes quantias de dinheiro público - que mais tarde serão abandonadas e não servirão para a democratização do esporte. Pelo contrário. Por suas características grandiosas, gerarão despesas demais e os atletas amadores não encontrarão abrigo em seus muros.

Assim como no México, onde a realização de duas Copas e uma Olimpíada não gerou nenhum avanço na prática de esporte, a tendência é de que no Brasil, a situação até piore. Com a destruição dos campinhos, com a derrubada das comunidades e o avanço da especulação imobiliária é mais provável que a prática de esporte diminua.

A nota dissonante durante as Jornadas Bolivarianas foi a realidade cubana. Na ilha socialista o esporte está submetido a uma política de estado e está incorporado a prática cotidiana da população. Vive não apenas nas escolas, onde a prática da educação física é obrigatória, mas se democratiza na proliferação de centros de esportes, praças, campos de futebol, de basquete, de basebol, de atletismo, em cada pequena cidade. A lógica é de pequenas estruturas para atender a todos. A performance que os atletas cubanos conseguem nas competições vem justamente dessa política que investe na saúde bem como no esporte de rendimento, mas só o consegue porque tem o esporte encarnado na vida das gentes. Para um cubano, a realidade do atleta que se vende a patrocínios, que é comprado por outros países para aumentar o número de medalhas, é totalmente incompreensível. O esporte em Cuba não é mercadoria, está intimamente ligado à saúde da população e no campo competitivo se vincula ao sentimento de profundo amor pela pátria. Jogar numa olimpíada é defender Cuba.

E já que falamos em medalhas, Jaime Breilh, do Equador, também desmistificou esse tal quadro de medalhas que tanto é divulgado durante os jogos olímpicos e que parece deixar patente o fato de que só os países ricos, como os Estados Unidos ou a China, estão no topo do mundo do esporte. Jaime chama a atenção para que as pessoas façam as contas pelo número de habitantes dos países. Assim, ele chega a um quadro diferente sobre os "melhores do mundo". No ano de 1998, por exemplo, o quadro de medalhas ficou assim:  Em primeiro lugar os estados Unidos, depois Rússia, depois China. Mas confrontados com o número de habitantes, a coisa muda: em primeiro fica a Nova Zelândia, depois Cuba, seguida da Dinamarca. Os Estados Unidos cairiam para vigésimo primeiro e China para trigésimo. Então, é tudo uma questão de perspectiva.

Para os conferencistas que fizeram as Jornadas Bolivarianas desse ano o esporte é algo que deve ser levado a sério, pois ele não é mercadoria. Está ligado intimamente ligado com a saúde, com a qualidade de vida, com a soberania de um povo.  E, no caso do Brasil, ainda há tempo de caminhar para uma política que atue no sentido de garantir a prática esportiva com qualidade, com espaços adequados, de caráter popular. Assim, em vez de construir "arenas" gigantescas e inúteis, o Ministério dos Esportes deveria se preocupar em definir uma política nacional de esporte comunitário, para produzir vida e saúde e não consumidores de produtos tão inúteis quanto as propaladas arenas. É preciso que o ministro Aldo Rabelo defenda mais o povo brasileiro do que a Nike. Se isso não mudar, a tendência é caminharmos para um país em que pessoas obesas se postarão diante da TV para falar de esporte, sem vivê-lo. E, no que diz respeito aos grandes eventos, corremos o risco de inventar um país que não existe, apenas para entrar no jogo do negócio. Renato Cosentino, do Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, mostrou uma propaganda da Petrobrás no exterior, falando sobre o pré-sal, que exibe uma foto aérea do Rio de Janeiro, na qual as favelas e todos os sinais de pobreza foram apagados pelo fotoshop. Essa é a dura realidade do Brasil. Está sendo preparado para a Copa, e haverá de eliminar os pobres, custe o que custar. Tudo em nome de alguns dias de entretenimento para muito poucos e de lucros estratosféricos para muito poucos também.
  


Abertura
Juca Kfouri
geral público



sexta-feira, 5 de abril de 2013

Programação das Jornadas Bolivarianas 2013


PROGRAMAÇÃO

09 DE ABRIL DE 2013 - TERÇA-FEIRA

Noite - Auditório da Reitoria/UFSC

18:30 h - Abertura oficial das IX Jornadas Bolivarianas
19:00 h - Conferência de abertura:
Os Megaeventos Esportivos: Impactos, Consequências e Legados para o Continente Latino-Americano
Conferencista:
Jaime Breilh (Equador)
Doutor e Diretor da Área de Saúde da Universidade Andina Simón Bolivar
Coordenador do Global Health para a América
Coordenação:
Edgar Matiello
Vitral Latino-Americano/CDS/UFSC

10 DE ABRIL DE 2013 - QUARTA-FEIRA

Manhã - Auditório da Reitoria/UFSC

09:00 h - Conferência:
O Estado, os Movimentos Sociais, as Políticas Públicas de Esporte e Lazer e os Direitos Sociais frente aos Megaeventos Esportivos
Antonio Becali Garrido (Cuba)
Reitor da Universidade de Ciências da Cultura Física e Esporte
Fernando Mascarenhas (Brasil)
Faculdade de Educação Física da UNB
Coordenação:
Maurício Roberto da Silva
CDS/UFSC

Tarde - UFSC e Hall da Reitoria/UFSC

14:30 - 18:00 h - Apresentação de Trabalhos

Noite - Auditório da Reitoria/UFSC

18:30 h - Conferência:
A Mídia, o Jornalismo Esportivo e a Cobertura dos Megaeventos Esportivos
Juca Kfouri (Brasil)
Jornalista e Colunista Esportivo
Maurício Mejía (México)
Jornalista, Diretor Editorial do Ludens Offside
Coordenação:
Fernando Gonçalves Bitencourt
Labomídia/UFSC


11 DE ABRIL DE 2013 - QUINTA-FEIRA

Manhã - Auditório da Reitoria/UFSC

09:00 h - Conferência:
Acumulação do capital e megaeventos esportivos
Nilso Ouriques (Brasil)
Unoesc
Marcelo Proni (Brasil)
Unicamp
Coordenação:
Nildo Ouriques (Brasil)
IELA/UFSC

Tarde - UFSC e Hall da Reitoria/UFSC

14:30 - 18:00 h - Apresentação de Trabalhos

Noite - Auditório da Reitoria/UFSC

19:00 h - Conferência:
Cidades, Participação Popular, Economia e os legados dos megaeventos esportivos
Eddie Cottle (África do Sul)
Jornalista e Escritor
Autor do livro South África's Wold Cup: A Legacy For Whom? (Copa do Mundo da África do Sul: um legado para quem?)
Raumar Rodrigues Gimenez (Uruguai)
Universidade República do Uruguai
Coordenação:
Raquel Moysés
IELA/UFSC

12 DE ABRIL DE 2013 - SEXTA-FEIRA

Manhã - Auditório da Reitoria/UFSC

09:00 h - Conferência:
O impacto dos megaeventos nas comunidades
Renato Cosentino Vianna Guimarães (Brasil)
Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
Paulo Ricardo do Canto Capela (Brasil)
Vitral Latino-Americano de Educação Física, Esportes e Saúde/UFSC
Coordenação:
Fábio Pinto
Projeto Córdoba/Colégio de Aplicação/UFSC

12:00 h - Encerramento


www.iela.ufsc.br
iela@iela.ufsc.br
48. 37216483 - 99078877

Memória das Jornadas Bolivarianas




São nove anos de Jornadas Bolivarianas. Espaço de debate e criação do pensamento próprio e crítico.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Os pré-efeitos da Copa

   

Enquanto acontecem as obras de grandes estádios para a Copa do Mundo, famílias amargam o desalojo. Deixam suas casas e suas vidas para trás...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Na marca do pênalti


As Jornadas Bolivarianas de 2013 terão como tema os megaeventos esportivos, vistos nos seus variados aspectos: econômico, político, de mobilização popular, cultural, saúde, organização urbana. A proposta deste seminário internacional, que acontece na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) há nove edições, é de fazer um debate crítico, saindo do lugar comum que se vê na mídia comercial, de ufanismos e maravilhas.

Eventos desta natureza, muito mais do que propiciar lazer e divertimento tornaram-se espaços de acumulação do capital. Com eles, muito poucos têm grandes lucros e a maioria das populações dos lugares onde acontecem acabam tendo apenas ganhos periféricos, quando não vivem processos violentos de remoção.   

Para compreender de forma crítica este atualíssimo modo de acumulação capitalista, o Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA/UFSC) traz a Florianópolis, de 9 a 12 de abril, renomados estudiosos e líderes populares de vários países. A abertura, no dia 9 de abril, contará com a presença do equatoriano Jaime Breilh, da Universidad Andina Simón Bolívar. Jaime é médico e um dos fundadores do movimento latino-americano da nova saúde pública, sendo o foco do seu trabalho a discussão da saúde esportiva como negócio e prática destrutiva. Segundo ele, a lógica dos megaeventos desfaz de maneira cabal a ideia do esporte como sinônimo de saúde.

Outra presença significativa é a do cubano Antonio Becali Garrido, reitor da Universidad de Ciencias de la Cultura Física y el Deporte, que trará para o debate a concepção cubana de esporte e sua posição diante dos megaeventos. Participa também o professor Fernando Mascarenhas, da Universidade de Brasília, com larga trajetória na discussão do esporte brasileiro, tendo sido membro do Conselho Nacional do Esporte e presidente do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.

Raumar Rodrigues Gimenez, professor da Universidad Nacional de Uruguai, traz a reflexão do esporte como espaço de cultura e analisa os efeitos dos megaeventos nesta perspectiva. Marcelo Weishaupt Proni, professor da Unicamp, atua na área da economia do esporte, tendo forte atuação na crítica do futebol-empresa e dos impactos que megaeventos esportivos geram nas economias locais. Nilso Ouriques, professor da Unoesc, que recentemente lançou um retrato do esporte catarinense com o livro "A miséria do esporte", faz a discussão da acumulação do capital gerada por megaeventos esportivos.

No campo da mídia, as jornadas contarão com a presença de dois jornalistas de visão crítica. Um deles é o brasileiro Juca Kfouri, da ESPN, conhecido por sua seriedade, coragem e profissionalismo. Um ícone do pensamento crítico no mundo esportivo. O outro é o jornalista mexicano Maurício Mejía, também bastante conhecido no México por sua visão diferenciada no debate esportivo, saindo do senso comum, típico da mídia comercial.

Outro estudioso que fará sua conferência nas Jornadas é o sul-africano Eddie Cottle, que lançou há pouco tempo um denso trabalho sobre a Copa do Mundo realizada no seu país. Olhando o evento desde o campo popular e na perspectiva dos trabalhadores, Eddie poderá mostrar como a África do Sul foi afetada e quais os impactos deixados na população.

Já o representante do debate popular no Brasil será Renato Cosentino Vianna Guimarães, do Comitê Popular Rio Copa Olimpíadas, entidade que vem travando batalhas importantes pelo direito ao esporte e à vida, principalmente no que diz respeito aos despejos e à privatização do Maracanã. Paulo Ricardo do Canto Capela, presidente do Iela e professor do Centro de Esportes da UFSC, encerra o evento, discutindo a necessidade de o esporte sair da órbita do negócio e se encarnar no mundo da vida.

As atividades das Jornadas Bolivarianas – 9ª. edição - começam numa terça-feira, 9 de abril de 2013, a partir das 18h30min. Veja a programação completa:

PROGRAMAÇÃO

09 DE ABRIL DE 2013 - TERÇA-FEIRA

Noite - Auditório da Reitoria/UFSC

18:30 h - Abertura oficial das IX Jornadas Bolivarianas
19:00 h - Conferência de abertura:
Os Megaeventos Esportivos: Impactos, Consequências e Legados para o Continente Latino-Americano
Conferencista:
Jaime Breilh (Equador)
Doutor e Diretor da Área de Saúde da Universidade Andina Simón Bolivar
Coordenador do Global Health para a América
Coordenação:
Edgar Matiello
Vitral Latino-Americano/CDS/UFSC

10 DE ABRIL DE 2013 - QUARTA-FEIRA

Manhã - Auditório da Reitoria/UFSC

09:00 h - Conferência:
O Estado, os Movimentos Sociais, as Políticas Públicas de Esporte e Lazer e os Direitos Sociais frente aos Megaeventos Esportivos
Antonio Becali Garrido (Cuba)
Reitor da Universidade de Ciências da Cultura Física e Esporte
Fernando Mascarenhas (Brasil)
Faculdade de Educação Física da UNB
Coordenação:
Maurício Roberto da Silva
CDS/UFSC

Tarde - UFSC e Hall da Reitoria/UFSC

14:30 - 18:00 h - Apresentação de Trabalhos

Noite - Auditório da Reitoria/UFSC

18:30 h - Conferência:
A Mídia, o Jornalismo Esportivo e a Cobertura dos Megaeventos Esportivos
Juca Kfouri (Brasil)
Jornalista e Colunista Esportivo
Maurício Mejía (México)
Jornalista, Diretor Editorial do Ludens Offside
Coordenação:
Fernando Gonçalves Bitencourt
Labomídia/UFSC

11 DE ABRIL DE 2013 - QUINTA-FEIRA

Manhã - Auditório da Reitoria/UFSC

09:00 h - Conferência:
Acumulação do capital e megaeventos esportivos
Nilso Ouriques (Brasil)
Unoesc
Marcelo Proni (Brasil)
Unicamp
Coordenação:
Nildo Ouriques (Brasil)
IELA/UFSC

Tarde - UFSC e Hall da Reitoria/UFSC

14:30 - 18:00 h - Apresentação de Trabalhos

Noite - Auditório da Reitoria/UFSC

19:00 h - Conferência:
Cidades, Participação Popular, Economia e os legados dos megaeventos esportivos
Eddie Cottle (África do Sul)
Jornalista e Escritor
Autor do livro South África's Wold Cup: A Legacy For Whom? (Copa do Mundo da África do Sul: um legado para quem?)
Raumar Rodrigues Gimenez (Uruguai)
Universidade República do Uruguai
Coordenação:
Raquel Moysés
IELA/UFSC

12 DE ABRIL DE 2013 - SEXTA-FEIRA

Manhã - Auditório da Reitoria/UFSC

09:00 h - Conferência:
O impacto dos megaeventos nas comunidades
Renato Cosentino Vianna Guimarães (Brasil)
Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
Paulo Ricardo do Canto Capela (Brasil)
Vitral Latino-Americano de Educação Física, Esportes e Saúde/UFSC
Coordenação:
Fábio Pinto
Projeto Córdoba/Colégio de Aplicação/UFSC

12:00 h - Encerramento


Informações:

Fone: +55(48) 37216483 – 3721-4938 - 99078877

terça-feira, 19 de março de 2013

Veja quem vem para as Jornadas Bolivarianas 2013



As Jornadas Bolivarianas de 2013 terão como tema os megaeventos esportivos, vistos nos seus variados aspectos: econômico, político, de mobilização popular, cultural, saúde, organização urbana. A proposta deste seminário internacional, que acontece na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) há nove edições, é de fazer um debate crítico, saindo do lugar comum que se vê na mídia comercial, de ufanismos e maravilhas.

Eventos desta natureza, muito mais do que propiciar lazer e divertimento tornaram-se espaços de acumulação do capital. Com eles, muito poucos têm grandes lucros e a maioria das populações dos lugares onde acontecem acabam tendo apenas ganhos periféricos, quando não vivem processos violentos de remoção.

Para compreender de forma crítica este atualíssimo modo de acumulação capitalista, o Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA/UFSC) traz a Florianópolis, de 9 a 12 de abril, renomados estudiosos e líderes populares de vários países.

A abertura, no dia 9 de abril, contará com a presença do equatoriano Jaime Breilh, da Universidad Andina Simón Bolívar. Jaime é médico e um dos fundadores do movimento latino-americano da nova saúde pública, sendo o foco do seu trabalho a discussão da saúde esportiva como negócio e prática destrutiva. Segundo ele, a lógica dos megaeventos desfaz de maneira cabal a ideia do esporte como sinônimo de saúde.

Outra presença significativa é a do cubano Antonio Becali Garrido, reitor da Universidad de Ciencias de la Cultura Física y el Deporte, que trará para o debate a concepção cubana de esporte e sua posição diante dos megaeventos. Participa também o professor Fernando Mascarenhas, da Universidade de Brasília, com larga trajetória na discussão do esporte brasileiro, tendo sido membro do Conselho Nacional do Esporte e presidente do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte.

Raumar Rodríguez Gimenez, professor da Universidad Nacional de Uruguai, traz a reflexão do esporte como espaço de cultura e analisa os efeitos dos megaeventos nesta perspectiva. Marcelo Weishaupt Proni, professor da Unicamp, atua na área da economia do esporte, tendo forte atuação na crítica do futebol-empresa e dos impactos que megaeventos esportivos geram nas economias locais. Nilso Ouriques, professor da UNOESC, que recentemente lançou um retrato do esporte catarinense com o livro "A miséria do esporte", faz a discussão da acumulação do capital gerada por megaeventos esportivos.


No campo da mídia, as jornadas contarão com a presença de dois jornalistas de visão crítica. Um deles é o brasileiro Juca Kfouri, da ESPN, conhecido por sua seriedade, coragem e profissionalismo. Um ícone do pensamento crítico no mundo esportivo. O outro é o jornalista mexicano Maurício Mejía, também bastante conhecido no México por sua visão diferenciada no debate esportivo, saindo do senso comum, típico da mídia comercial.

Outro estudioso que fará sua conferência nas Jornadas é o sul-africano Eddie Cottle, que lançou há pouco tempo um denso trabalho sobre a Copa do Mundo realizada no seu país. Olhando o evento desde o campo popular e na perspectiva dos trabalhadores, Eddie poderá mostrar como a África do Sul foi afetada e quais os impactos deixados na população.

Já o representante do debate popular no Brasil será Renato Cosentino Vianna Guimarães, do Comitê Popular Rio Copa Olimpíadas, entidade que vem travando batalhas importantes pelo direito ao esporte e à vida, principalmente no que diz respeito aos despejos e à privatização do Maracanã. Paulo Ricardo do Canto Capela, presidente do IELA e professor do Centro de Esportes da UFSC, encerra o evento, discutindo a necessidade de o esporte sair da órbita do negócio e se encarnar no mundo da vida.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Marcelo Weishaupt Proni - Unicamp


Graduação em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (1985), mestrado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1994) e doutorado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (1998).

É professor doutor da Universidade Estadual de Campinas, onde desenvolve estudos sobre desenvolvimento econômico, mercado de trabalho e economia do esporte. Atualmente, é diretor associado do Instituto de Economia. Tem experiência de ensino e pesquisa nas seguintes disciplinas: desenvolvimento econômico, mercado de trabalho, políticas públicas. Também tem publicado estudos nos seguintes temas: economia do esporte, marketing esportivo, futebol-empresa. Autor do livro A Metamorfose do Futebol e de vários artigos sobre os impactos econômicos de megaeventos esportivos.

Eddie Cottle - África do Sul


Eddie Cottle - Escritor e jornalista na Cidade do Cabo, África do Sul

Eddie Cottle é coordenador político do Building and Wood Workers’ International (BWI). No momento em que escreveu um livro sobre a Copa do Mundo, ele foi contratado pelo Serviço de Pesquisa do Trabalho (LRS), na Cidade do Cabo. Lá, coordenou "Campanha pelo Trabalho Decente para e além de 2010", na BWI.

É ex-diretor da Rede de Serviços de Desenvolvimento Rural e foi um pesquisador Jubileu África do Sul e Sul-Africano Comercial, Hotelaria e Sindicato dos Trabalhadores dos Aliados "(SACCAWU). Co-autor de um capítulo do livro "Recuperação de Custos e Prestação de Serviços na África do Sul" (2002).

Ele também tem diversos artigos publicados em jornais diários e em revistas, e tem escrito e editado vários folhetos populares. É membro fundador do "Movimento Social Indaba", um movimento Sul-Africano. Eddie é formado em geografia e ciência ambiental pela Universidade de Western Cape (UWC) e também graduou-se em educação.

Fernando Mascarenhas - UNB/Brasil


Fernando Mascarenhas
Doutor em Educação Física
Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação Física da UnB

Iniciou seus estudos em Educação Física em 1989, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), tendo se licenciado em 1992, pelo Centro Universitário de Volta Redonda (UNIFOA), em sua cidade natal. Possui Especialização em Filosofia Moderna e Contemporânea, realizada junto à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), concluída em 1995. Mestrado e Doutorado em Educação Física, ambos realizados na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), concluídos em 1999 e 2005. 

Em sua trajetória profissional, foi professor do ensino básico no sistema público do Estado de Minas Gerais (SEE-MG), entre 1993 e 1996, e professor do ensino superior, tendo trabalhado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1996, e na Universidade Federal de Goiás (UFG), entre 1997 e 2008. Desde 2009, é professor da Universidade de Brasília (UnB). Foi presidente, entre 2005 e 2009, do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE), associação científica representativa da área da Educação Física. Neste mesmo período, foi membro do Conselho Nacional de Esporte, órgão assessor do Ministério do Esporte. Foi também, entre 2010 e 2012, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação Física da UnB. 

No âmbito da produção científica, publicou em autoria e co-autoria vários trabalhos, dentre livros, capítulos de livro e artigos. Como professor, atuando no âmbito da graduação e da pós-graduação, desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão vinculadas às linhas: Políticas de Esporte e Lazer; Educação Física, Formação e Trabalho. Coordena o Avante - Grupo de Pesquisa e Formação Sociocrítica em Educação Física, Esporte Lazer da UnB, integrando ainda o GEPELC - Grupo de Estudo e Pesquisa em Esporte, Lazer e Comunicação da UFG e o Observatório de Políticas de Educação Física, Esporte e Lazer da Unicamp.

Antonio Becali Garrido - Cuba

Na foto com aluna do Curso de Educação Física da UFSC

Antonio Becali Garrido
Reitor de la Universidad de Ciencias de la Cultura Física y el Deporte
Cuba

Graduado em Cultura Física, Mestre em Judô de Alto Rendimento, Doutor em Ciências, Professor Titular da  Universidade de Ciências da Cultura Física e Esportes - Cuba. Treinador de Judô, Faixa Preta 6to Dan e treinador da Seleção Nacional de Judô Feminino de Cuba, desde 1995 até 2005. Foi selecionado como treinador mais destacado em Cuba no ano de 1997. Obteve a ordem "do mérito esportivo" outorgada pelo Conselho de Estado de Cuba em novembro de 2001.

Jaime Breilh - Equador


Jaime Breilh
Universidad Andina Simón Bolívar
Equador

Médico. Um  dos fundadores do movimento latino-americano da nova saúde pública, e impulsionador da Medicina Social. Mestre em Medicina Social pela Universidade Autônoma Metropolitana do México; Pós-Graduado em Epidemiologia pela Escola de Higiene da Universidade de Londres; Doutor em Epidemiologia pela Universidade Federal da Bahia, Brasil. Fundador e investigador principal do Centro de Estudos e Assessoria em Saúde (CEAS/Equador). Presidente do Centro de Investigações para o Desenvolvimento (CINDES). 

Cofundador da Associação Latino-americana de Medicina Social. Diretor da Área de Saúde da Universidade Andina “Simón Bolívar”. Diretor Acadêmico do Mestrado Internacional em Saúde com Enfoque de Ecossistemas da Universidade de Columbia Britânica e das Universidades de Cuenca, Técnica de Machala e Nacional de Bolívar. Doutor Honoris Causa da Universidade Nacional de Cajamarca; Profesor Honorário da Faculdade de Medicina da Universidade de San Marcos de Lima.

Juca Kfouri - jornalista brasileiro


Juca Kfouri
Jornalista da ESPN, escritor e comentarista esportivo
São Paulo/Brasil

58 anos, 38 de profissão, formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005, além de ter sido contratado recentemente pela ESPN-Brasil para participar do programa Linha de Passe.

Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio.

Mauricio Mejía - Jornalista Mexicano


Mauricio Mejía
México

Nasceu na cidade do México em 22 de março de 1972. Formado pela faculdade de Ciências Políticas da Universidade Nacional Autônoma de México. É diretor editorial de Ludensoffside.com.

Até setembro do ano passado foi diretor editorial do programa Ludens que se manteve cinco anos no ar, no Canal 22, um canal cultural do México. É colaborador da revista Letras Libres. Em 2007 ganhou o Prêmio Alemâo de jornalismo, outorgado pela Embaixada da Alemanha no México, pela sua cobertura do Mundial de 2006. É autor do livro Boxeo Mx, historia de 20 ídolos mexicanos, de Blue Demon Memoria de una Máscara e de Historia de los Mundiales. Foi professor de pesquisa na Universidade Iberoamericana e da Escola de Jornalismo Carlos Septién García. 

Foi editor de esportes da revista Proceso e do Diario Monitor. Colabora nos diários Reforma, El Universal, La Jornada, El Financiero e Milenio. Também atua em estações de rádio como a W, Radio Centro, Acir, Radio Fórmula e ABC Radio. Colabora em revistas como Expansión, Indigo Media e Lateral, de Barcelona, Espanha. Dirigiu as revistas Sportiva e Viva Basquet. Também atua no campo do vídeo sendo um dos autores de um trabalho sobre migração que forma uma Antologia da Migração no México.